O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos atingiu R$ 49 bilhões em movimentação anual, consolidando-se como um dos vetores silenciosos de eficiência na economia real. Os dados fazem parte do 1º Rental Market Report Brasil 2025, apresentado pela Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (ANALOC), e indicam um setor em expansão estrutural, ainda que pressionado por juros elevados e desaceleração da atividade.
Esse é o primeiro estudo de mercado do rental brasileiro, desenvolvido pela KPMG da França e utilizando a mesma metodologia aplicada na Europa e nos Estados Unidos. Com esse pano de fundo — crescimento estrutural combinado a desafios conjunturais — o setor se mobiliza para a ANALOC Rental Show 2026, que acontece de 6 a 8 de julho, no Expo Center Norte, em São Paulo. Realizado pela ANALOC em parceria com o Ecossistema LocadoresBR, o evento surge como ponto de convergência para discussão de cenário, estratégias e oportunidades de expansão.
Além do volume financeiro, o levantamento revela a dimensão econômica da atividade: ao todo, o país possui 50 mil empresas de locação, sendo 60% destas voltadas para atender ao setor da construção. São mais de 200 mil empregos diretos e cerca de R$ 9 bilhões em tributos gerados anualmente. Na prática, trata-se de um segmento que conecta investimento, produtividade e geração de renda em cadeias estratégicas da economia, como construção civil, infraestrutura, mineração e agronegócio.
Outro ponto destacado pelo relatório é a capilaridade do setor, formado majoritariamente por micro, pequenas e médias empresas distribuídas por todo o território nacional, característica que amplia seu impacto regional e o papel na dinamização de economias locais. Cerca de 60% das locadoras estão localizadas no Sudeste, 15% no Nordeste, 13% no Sul, 7% no Centro-Oeste, e 5% no Norte do país.
Ainda, de acordo com o estudo, o crescimento do volume faturado pelo setor de locação de equipamentos tem avançado de forma contínua e sustentável, com uma dinâmica de mercado que progride a 11% no período de 2022 até 2027. Dessa forma, se atingiu R$ 49 bilhões em 2025, a perspectiva é alcançar mais de R$ 52 bilhões em 2026, e chegar a R$ 56 bilhões em 2027.
Modelo de uso ganha força na economia real
O avanço da locação acompanha uma mudança mais ampla no comportamento das empresas. Em vez de imobilizar capital na compra de ativos, cresce a adoção de modelos baseados no uso, mais flexíveis e alinhados à busca por eficiência financeira. Esse movimento, já consolidado em mercados internacionais, ganha tração no Brasil à medida que empresas enfrentam restrições de crédito, necessidade de preservar caixa e maior volatilidade econômica.
Mas é preciso destacar que, apesar do avanço, o Brasil ainda está atrás de mercados mais desenvolvidos. "Nos Estados Unidos e em países da Europa, por exemplo, a locação já responde por uma parcela significativamente maior da utilização de equipamentos, com níveis de penetração elevados e consolidados há décadas", compara Reynaldo Fraiha, diretor da ANALOC Rental Show.
No Brasil, esse movimento acelera, mas ainda em fase de amadurecimento — o que, na prática, representa uma janela de crescimento. "Existe hoje uma percepção muito clara de que, para o usuário, faz mais sentido alugar do que comprar. O custo da propriedade é alto e o capital pode ser melhor aplicado no próprio negócio", afirma Fraiha.
Um dos indicadores dessa transição está no destino das vendas de máquinas. Em plataformas aéreas, entre 90% e 95% dos equipamentos já são adquiridos por locadoras. Na linha amarela, esse índice se aproxima de 30%, ainda distante dos padrões internacionais, mas em trajetória ascendente.
Setor se articula na ANALOC Rental Show
Mesmo com desafios de curto prazo, o relatório aponta que a trajetória de crescimento da locação permanece consistente. Nesse contexto, a ANALOC Rental Show 2026 ganha relevância ampliada. Mais do que uma vitrine de equipamentos, o evento se posiciona como um espaço de leitura de cenário e articulação do setor, reunindo fabricantes, locadoras, instituições financeiras e empresas de tecnologia.
"A locação é uma atividade intensiva em capital e altamente sensível ao ambiente econômico. Ter um ambiente de troca de informações e análise de cenário é fundamental para o desenvolvimento do setor", destaca Leônidas Ferreira, conhecido como Leo Sisloc, diretor da Sisloc Softwares e presidente do Ecossistema LocadoresBR.
Com base em dados que mostram um mercado já consolidado em escala e ainda com espaço relevante para expansão, a feira acontece em um momento decisivo — em que a locação deixa de ser alternativa e se firma como componente estrutural da economia brasileira.
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